Mutirão para Extração e Tratamento de Madeira de Eucalipto

No dia 15 de julho de 2013, na Comuna da Terra Dom Tomás Balduíno aconteceram dois eventos: a tradicional Festa Junina, que inaugurou a nova praça, e o Mutirão para Extração de Madeira de Eucalipto, organizado para a construção do parquinho. O objetivo para este dia foi dividir as pessoas em duas frentes de trabalho, sendo que uma das atividades envolveria as crianças e outra, somente adulto. Assim, enquanto acontecia a extração da madeira, a festa era organizada, de modo que por volta das 13h, foi dado início à festa e todos puderam se reunir, pois os trabalhos já estavam finalizados.

A equipe responsável pela festa junina, além de cuidar da distribuição de salgados, doces e bebidas, enfeitou o espaço com as bandeirinhas e organizou a área com os novos equipamentos de lazer. A festa foi preparada no local onde aconteceu a intervenção na lavanderia, próximo à Plenária e ao espaço da Ciranda. Dessa maneira, a festa junina foi uma comemoração e a inauguração daquele espaço que passamos a chamar de praça. Vale lembrar que esta área passou pela intervenção, na qual houve a instalação de bancos nas áreas capinadas e balanços na lavanderia e em árvores próximas, além da própria reativação de banheiros e da pintura da lavanderia.

Mutirão para extração e tratamento de madeira de aucalipto

 O Mutirão

O Mutirão para Extração e Tratamento de Madeira de Eucalipto aconteceu no setor verde, em uma parte do terreno da Dona Bete, que cedeu o espaço para realizarmos os trabalhos práticos relacionados à construção do parque. A decisão de implantar o parquinho no setor verde partiu de conversas com os moradores, os quais relataram que muitas crianças não participavam das atividades de recreação devido à grande distância que precisariam percorrer para chegar ao local. Dessa maneira, muitos pais não permitiam a ida de seus filhos aos encontros e brincadeiras, o que acabava afastando as crianças das atividades coletivas promovidas para elas e para os próprios adultos.

Em reuniões de planejamento das atividades com os moradores, percebemos que todo o conhecimento necessário para a extração e tratamento da madeira de eucalipto os moradores já detinham. Dessa maneira, além do trabalho intenso, a realização do mutirão foi um momento de grande troca de conhecimentos e aprendizado. Durante os trabalhos, ouvimos dos assentados que no período em que estavam em acampamento, boa parte deles havia lidado com a extração e o tratamento do eucalipto para utilizá-lo na construção de suas casas provisórias, os barracos, como eles chamavam. Além disso, existem na Comuna, pessoas com experiência no tratamento químico da madeira, por isso, todo o processo foi ensinado e realizado com a participação dessas pessoas.

Neste dia, ao chegarmos à comuna, os moradores participantes do mutirão já estavam trabalhando desde cedo: o terreno onde depositaríamos as toras e trataríamos a madeira estava limpo, os buracos para a fixação das estruturas onde alocaríamos os tonéis estavam sendo abertos e a madeira destinada a esta parte do trabalho também já estava sendo extraída. Houve muito empenho por parte das pessoas envolvidas, fosse no trabalho diretamente relacionado à extração da madeira ou mesmo no preparo do café da manhã, que   inclusive foi um verdadeiro banquete feito pela dona Maria.

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Inicialmente, tomamos o café da manhã na casa da dona Maria, este foi também o momento da acolhida, em que pudemos nos conhecer melhor e conversar com as pessoas participantes do trabalho. Deste mutirão participaram: Antônio Marques, Capataz (Edivaldo), Edivaldo, Eudes, Osvaldo, Jesuíno, Seu Antônio, Eliana, Dona Maria, Davi, Kakanha, Vitor, Juliano e Marla. Lembrando que a Ana, a Juliana, as crianças e outros moradores estavam envolvidos simultaneamente com a preparação da festa junina.

Após a acolhida, voltamos ao trabalho! Algumas pessoas continuaram cavando os buracos para fixação das toras nos tonéis e outras auxiliaram a extração feita pelo Capataz, com uma motosserra, e cuidaram do transporte da madeira até o local destinado para o tratamento. As árvores cortadas foram retiradas do morro logo atrás da casa da dona Bete, numa parte mais abaixo, onde estavam os eucaliptos. Por isso, apesar da declividade, o local era próximo ao espaço de tratamento e está em frente à área onde será construído o parquinho.

Retiradas as primeiras toras, iniciamos a etapa de descascamento da madeira. Enquanto isso, outras pessoas preparavam a solução de sulfato de cobre e água para o tratamento químico da madeira. Esta alternativa de tratamento foi pesquisada e discutida com os moradores que conheciam o processo. A ideia do tratamento por sulfato de cobre está baseada na substituição de seiva, em que a seiva da madeira é substituída pelo sulfato de cobre dissolvido na água. Assim, retirado e descascado o tronco, a madeira logo inicia o processo de perda de líquido. A partir daí o tronco é mergulhado em torno de 0,5m na solução química e o líquido passa a ser absorvido pela madeira, substituindo sua seiva.

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A preparação da estrutura de apoio às toras ao redor dos tonéis aconteceu do começo ao fim do trabalho, pois sua finalização fez o isolamento do conjunto das para que não tombassem. A solução de sulfato de cobre foi preparada diretamente nos tonéis, onde posteriormente foram depositadas as toras.

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As toras retiradas tinham dimensão de 3m de comprimento e tinham de 15 a 20cm de diâmetro, por isso, o transporte até o quintal era realizado por duas pessoas. Como já comentado, tanto o corte da árvore quanto a extração dos galhos da ponta foram feito com uma motosserra. Após a extração, apoiadas de modo que ficassem inclinadas, as toras foram descascadas com o auxílio de facões e facas um pouco menores. Este processo consiste na retirada da casca em tiras que saem por partes ou, conforme as condições da madeira, que saiam inteiras. Assim como em todo o processo, a transmissão da experiência dos moradores sobre a maneira mais adequada para descascar a madeira foi essencial para a aceleração do processo. Percebemos que a experiência transmitida na fala e na prática, para este processo foram mais efetivas que as informações lidas, no sentido de aprendermos melhor na prática e colhermos dicas que não estão presentes nos manuais.

Foram extraídas 40 toras, totalizando 120m de comprimento em madeira. Portanto, cada um dos 4 tonéis abrigou 10 toras. Após descascada e pronta a solução, as toras foram depositadas nos tonéis  e amarradas às barras de eucalipto com cordas, de modo que o conjunto permanecesse vertical. Quanto à organização posterior do terreno e ao recolhimento das cascas, os moradores se responsabilizaram por limpar o terreno da dona Bete. Vale ressaltar que as ferramentas utilizadas os próprios moradores já as detinham e sabiam como manusear, o que facilitou bastante a organização e execução das tarefas.

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Finalizados a extração, o descascamento, o tratamento químico e a estruturação das toras para que passassem por tratamento adequado, chupamos cana e tomamos um café na casa da dona Maria, que participou ativamente não só do preparo dos bolos e do café, mas descascando a madeira e transmitindo seus conhecimentos também.

Todo este processo começou por volta das 9h da manhã e terminou as 13h, entretanto, ressaltamos que houve um grande planejamento anterior a respeito de como aconteceria o mutirão, quantos estariam envolvidos, como aconteceria cada etapa de trabalho, onde realizaríamos o processo, de onde viriam as ferramentas e diversas outras questões oriundas do processo. Além disso, o preparo do terreno e a articulação dos moradores foram essenciais para que o trabalho acontecesse de maneira completa e em um curto período de tempo.

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Após a pausa para tomarmos um café, participamos da festa junina que foi realizada na praça da lavanderia, com a presença de muitos moradores e convidados!

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Resultados

Conforme discutimos no grupo, a atividade da extração e tratamento foi concluída com sucesso! Foram cumpridas todas as etapas previstas, não faltaram materiais e o trabalho foi feito em um bom tempo. Percebemos um amadurecimento do grupo em relação à organização das tarefas, mas acreditamos que o intenso envolvimento de alguns moradores neste processo foi primordial para que a atividade fosse realizada com sucesso. Deste modo, constatamos mais uma vez que a comunicação entre as partes envolvidas no processo e a participação daqueles que se comprometeram, contribuem para um processo de troca e construção de conhecimento, além do cumprimento das metas estabelecidas. Entretanto, acreditamos ainda que as atividades que não cumpriram completamente com os objetivos pensados, contribuem para percebermos as deficiências e as razões para que não se cumprissem.  Ademais, as mudanças decorrentes de todo o processo contribuem para que o grupo amadureça as questões discutidas e mesmo as propostas de tarefa.

Agradecimentos

Gostaríamos de agradecer a todos os envolvidos direta ou indiretamente com a realização deste trabalho. Na verdade, a quantidade de pessoas para agradecer é imensa, pois existem desde os participantes diretos das atividades a amigos e famílias que nos apoiam na concretização deste projeto. Portanto, deixamos os nossos agradecimentos à nossas famílias e aos amigos e companheiros que apoiam o projeto e nos ajudam a continuar, mesmo aqueles que somente curtem os posts do grupo, visualizam a página do blog ou mencionam o projeto são de grande estímulo para nós. Agradecemos aos nossos orientadores e companheiros de conversa professor Reginaldo Ronconi e Chico Barros, pela paciência e disposição em conversar conosco e transmitir suas experiências, à professora Clice por se dispor a ser orientadora do grupo, à Marilene por apoiar o grupo, conversar conosco e participar de algumas atividades. Recordamos aqui, amigos que acompanham mais de perto nosso trabalho e por vezes participam das atividades: Mariana Seiko, Vitor, Juliano, Carol e Aline (as gêmeas), Marina Barrio) e as outras pessoas que já nos acompanhara nas atividades. Quanto aos moradores, agradecemos a participação intensa dos adultos e crianças envolvidos, como Antônio Marques, Capataz (Edivaldo), Edivaldo, Seu Antônio, Eliana, Dona Maria, Davi, Antônio, Michael, Daniel, Daniela, Bianca e outras pessoas. Enfim, muito obrigada a todos aqueles que apoiam e participam dos trabalhos do Projeto participativo para a construção de um parquinho na Comuna Agrária D. Tomás Balduíno.

Gostaríamos que as pessoas que contribuíram de qualquer maneira para a realização do trabalho dessem seus depoimentos, seja de como foi participar do mutirão ou mesmo do que pensam e sugestões sobre o projeto e seu andamento, o comentário de vocês é muito importante para nosso trabalho.

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