Festa Junina

No dia 15 de junho fizemos uma festa junina e uma oficina de extração de madeira. A oficina de extração de madeira começou pela manhã, enquanto se faziam os preparativos para a festa. Neste dia, nosso grupo se dividiu em dois: parte ficou na oficina de extração de madeira, parte fez uma oficina de bandeirinhas para decoração da festa junina.

Em nossa programação, esta era uma atividade de fundamental importância. Tanto era base das próximas atividades, pois era a extração e o início do tratamento do nosso principal material de trabalho – a madeira de eucalipto; quanto era o resultado das atividades anteriores, pois seria o momento inaugural da praça conformada pelos equipamentos inseridos na intervenção da antiga lavanderia.

A ideia da divisão de nosso grupo veio da vontade de ter atividades com as crianças enquanto houvesse atividades com os adultos. A partir daquele momento, misturar as atividades seria totalmente inseguro. Propusemos uma oficina de bandeirinhas: levamos papéis coloridos para fazer bandeiras de festa junina, balões e lanternas.

Porém, as crianças que apareceram por lá, já não queriam mais atividades de cortar e colar. Crescidas e urbanas, preferiram sentar nos bancos e conversar ao som de suas musicas preferidas. Apenas as crianças mais novas toparam participar de nossas oficinas. Isto não foi negativo nem para as crianças e adolescentes, nem para nós (estudantes). Apesar de não participarem das atividades que nós propusemos, as crianças e adolescentes tiveram um espaço de encontro e diversão.

Para nós, aquele foi um momento em que nós pudemos ver crianças, adolescentes e adultos utilizarem os brinquedos e equipamentos que lá instalamos. Foi então, que pudemos perceber: a intervenção na antiga lavanderia não foi apenas para crianças, mas para todos os moradores, independente da idade.

Outro ponto essencial naquele momento foi presenciar a união da comuna para fazer a festa junina. Uma festa que sempre teve o apoio financeiro de parceiros externos ao movimento, já não podia mais contar com financiamento. Para viabilizar, cada família levou um prato de comida, assim como nós, estudantes. Foi uma atitude simples, mas desencadeou outra postura do movimento, que relataremos mais adiante em outras atividades.

Tanto a festa junina quanto a oficina de extração de madeira mostrou que há força para reativar o senso de coletivismo esquecido com o passar dos anos. Isto foi observado (em reunião de balanço e planejamento) pelos próprios moradores da comuna, que reconheceram a falta de união de seu grupo e viram no parquinho a oportunidade pra retomar as atividades coletivas.

Dentro de nosso projeto, essa percepção foi muito positiva. Até então, estávamos apreensivos quanto à continuidade de nossas atividades, pois a verba que tínhamos da pró-reitora de cultura e extensão da USP era muito pequena e impossibilitava sequer a compra de material. Não estávamos conseguindo fornecer alimentação a todas aquelas pessoas que estavam lá, colocando a “mão na massa”. A partir daquele instante foi possível ver o quanto era necessário e o quanto era prazeroso a união daquela comuna para continuar na luta. Então, foi decidido que a alimentação dos mutirantes seria fornecida pelos moradores, com ajuda pessoal dos estudantes.