Oficina de Maquete

No dia 4 de abril, realizamos na Plenária da Comuna da Terra Dom Tomás Balduíno uma atividade que chamamos de Oficina de Maquete. A ideia desta atividade foi tentar apreender de maneira mais prática que tipo de brinquedo as crianças e jovens gostariam que existisse no parquinho. Antes desta oficina, o terreno para a construção do parque já havia sido escolhido a partir de diversas conversas e reuniões com os moradores presentes, por isso os participantes da oficina já tinham em mente qual espaço estávamos tratando.

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O que é a Oficina de Maquete

Ao pensar no processo de realização da oficina, procuramos trabalhar com recursos os quais as crianças pudessem se apropriar, criar coletivamente e interagir. Desta maneira, não levamos projetos desenhados pelo grupo, pois nossa intenção não é propor ideias que partam somente de um lado dos agentes participantes ou um processo de criação em que se suponha a participação das crianças a partir de instrumentos não dominados por eles, que na realidade os distanciam e não revelam suas intenções para o projeto. Acreditamos que o projeto participativo permite uma construção coletiva de conhecimento, de modo que a experiência conjunta permite uma troca de diferentes saberes.

A oficina de maquete faz parte de um processo de projetação coletiva que nos propusemos a desenvolver ao longo do trabalho com as crianças e jovens. Assim, a percepção de uma intenção das crianças não parte somente de uma atividade, mas é um processo pensado desde o início do projeto, em que a cada etapa procuramos nos aproximar deles, conhecer suas brincadeiras, entender seus espaços e como os percebem, e posteriormente, de maneira mais direta, perguntar a eles o que gostariam que existisse no parque que construiríamos juntos.

Metodologia

Dividimos a Oficina de Maquete em cinco partes, de modo que em cada uma delas as crianças lidavam com diferentes maneiras de propor suas ideias. Inicialmente apresentamos a eles referências impressas em pequenos papeizinhos, eram imagens de brinquedos feitos em eucalipto e/ou pneu, esclarecemos a eles que estes dois materiais seriam nossas principais matérias-primas para a construção do parquinho. Levamos mais ou menos 25 imagens, alguns brinquedos eram bem parecidos entre si, propusemos que escolhessem os que mais gostassem. A partir da semelhança entre alguns brinquedos escolhidos, pudemos levantar características que mais lhes chamavam a atenção. Após esta primeira etapa, propusemos que desenhassem, também em pequenos papeizinhos, brinquedos que não apareceram nas referências. Entre os principais escolhidos e desenhados, estão: a balança, a escalada formando um grande equipamento com casinha e escorregador, a trave para jogar futebol e a mesa, escolhida pelos jovens como um espaço de estar

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Escolhidas as referências, apresentamos a eles a maquete do relevo do terreno, feita de isopor, dissemos que a ideia era alocar no terreno as imagens dos brinquedos que escolheram e desenharam, como uma representação simbólica dos lugares onde gostariam que estes fossem implantados. Além das imagens, preparamos com eles árvores feitas de varetas de pipa e papel crepom verde para que afixassem no espaço, aproximando a maquete da real situação do terreno, no qual há muitas árvores.

Na etapa seguinte, distribuímos varetas de pipa e massinha, de maneira que as varetas representaram as toras de eucalipto, e a massinha, a articulação para interligação entre as varetas, como os encaixes a serem feitos na escala real. A cor das massinhas despertou muito a atenção das crianças, algumas delas interagiram somente com a massinha. Infelizmente, ao longo desta etapa, percebemos que a escolha da massinha para a articulação entre as varetas não funcionou como o planejado, pois as estruturas não se equilibravam fixas entre si. Ainda sim, as crianças experimentaram muitas formas e criaram alguns brinquedos. Surgiram totens, um cavalinho, uma trave, uma pista se skate, rede de vôlei, uma caixa de areia, um escorregador, bonecos e flores.

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Após a definição das referências escolhidas, desenhadas e modeladas, iniciamos a etapa de alocação dos brinquedos, em que os participantes distribuíam cada item pelo espaço da maquete, fazendo uma setorização prévia. De modo geral, o espaço de estar ficou perto da entrada do parquinho, beirando a rua, enquanto o campo de futebol ficou para um dos lados do terreno e o espaço dos brinquedos, do outro.

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O que podíamos ter feito

Ao iniciarmos as outras etapas do projeto, percebemos que podíamos ter envolvido muito mais os pais ao longo das atividades de projetação coletiva, inclusive na Oficina de Maquete. Acreditamos que o parquinho não será um espaço somente para as crianças e os adolescentes, mas também um espaço de lazer dos adultos, onde poderão se encontrar e até brincar. Além disso, percebemos que a escolha da massinha não serviu bem ao fim que gostaríamos, o que em parte prejudicou os resultados que gostaríamos de colher da oficina. Ao procurar identificar os equívocos ou as coisas que podíamos ter feito, buscamos amadurecer nosso trabalho não só para este projeto, mas como um conhecimento para todas as nossas experiências de vida. Ressaltamos que o processo coletivo de construção do conhecimento é essencial para que possamos ver os pontos em que o grupo necessita evoluir, sem este trabalho conjunto pensamos não haver possibilidade de crescer desenvolvimento deste processo.

Mutirão para Extração e Tratamento de Madeira de Eucalipto

No dia 15 de julho de 2013, na Comuna da Terra Dom Tomás Balduíno aconteceram dois eventos: a tradicional Festa Junina, que inaugurou a nova praça, e o Mutirão para Extração de Madeira de Eucalipto, organizado para a construção do parquinho. O objetivo para este dia foi dividir as pessoas em duas frentes de trabalho, sendo que uma das atividades envolveria as crianças e outra, somente adulto. Assim, enquanto acontecia a extração da madeira, a festa era organizada, de modo que por volta das 13h, foi dado início à festa e todos puderam se reunir, pois os trabalhos já estavam finalizados.

A equipe responsável pela festa junina, além de cuidar da distribuição de salgados, doces e bebidas, enfeitou o espaço com as bandeirinhas e organizou a área com os novos equipamentos de lazer. A festa foi preparada no local onde aconteceu a intervenção na lavanderia, próximo à Plenária e ao espaço da Ciranda. Dessa maneira, a festa junina foi uma comemoração e a inauguração daquele espaço que passamos a chamar de praça. Vale lembrar que esta área passou pela intervenção, na qual houve a instalação de bancos nas áreas capinadas e balanços na lavanderia e em árvores próximas, além da própria reativação de banheiros e da pintura da lavanderia.

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 O Mutirão

O Mutirão para Extração e Tratamento de Madeira de Eucalipto aconteceu no setor verde, em uma parte do terreno da Dona Bete, que cedeu o espaço para realizarmos os trabalhos práticos relacionados à construção do parque. A decisão de implantar o parquinho no setor verde partiu de conversas com os moradores, os quais relataram que muitas crianças não participavam das atividades de recreação devido à grande distância que precisariam percorrer para chegar ao local. Dessa maneira, muitos pais não permitiam a ida de seus filhos aos encontros e brincadeiras, o que acabava afastando as crianças das atividades coletivas promovidas para elas e para os próprios adultos.

Em reuniões de planejamento das atividades com os moradores, percebemos que todo o conhecimento necessário para a extração e tratamento da madeira de eucalipto os moradores já detinham. Dessa maneira, além do trabalho intenso, a realização do mutirão foi um momento de grande troca de conhecimentos e aprendizado. Durante os trabalhos, ouvimos dos assentados que no período em que estavam em acampamento, boa parte deles havia lidado com a extração e o tratamento do eucalipto para utilizá-lo na construção de suas casas provisórias, os barracos, como eles chamavam. Além disso, existem na Comuna, pessoas com experiência no tratamento químico da madeira, por isso, todo o processo foi ensinado e realizado com a participação dessas pessoas.

Neste dia, ao chegarmos à comuna, os moradores participantes do mutirão já estavam trabalhando desde cedo: o terreno onde depositaríamos as toras e trataríamos a madeira estava limpo, os buracos para a fixação das estruturas onde alocaríamos os tonéis estavam sendo abertos e a madeira destinada a esta parte do trabalho também já estava sendo extraída. Houve muito empenho por parte das pessoas envolvidas, fosse no trabalho diretamente relacionado à extração da madeira ou mesmo no preparo do café da manhã, que   inclusive foi um verdadeiro banquete feito pela dona Maria.

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Inicialmente, tomamos o café da manhã na casa da dona Maria, este foi também o momento da acolhida, em que pudemos nos conhecer melhor e conversar com as pessoas participantes do trabalho. Deste mutirão participaram: Antônio Marques, Capataz (Edivaldo), Edivaldo, Eudes, Osvaldo, Jesuíno, Seu Antônio, Eliana, Dona Maria, Davi, Kakanha, Vitor, Juliano e Marla. Lembrando que a Ana, a Juliana, as crianças e outros moradores estavam envolvidos simultaneamente com a preparação da festa junina.

Após a acolhida, voltamos ao trabalho! Algumas pessoas continuaram cavando os buracos para fixação das toras nos tonéis e outras auxiliaram a extração feita pelo Capataz, com uma motosserra, e cuidaram do transporte da madeira até o local destinado para o tratamento. As árvores cortadas foram retiradas do morro logo atrás da casa da dona Bete, numa parte mais abaixo, onde estavam os eucaliptos. Por isso, apesar da declividade, o local era próximo ao espaço de tratamento e está em frente à área onde será construído o parquinho.

Retiradas as primeiras toras, iniciamos a etapa de descascamento da madeira. Enquanto isso, outras pessoas preparavam a solução de sulfato de cobre e água para o tratamento químico da madeira. Esta alternativa de tratamento foi pesquisada e discutida com os moradores que conheciam o processo. A ideia do tratamento por sulfato de cobre está baseada na substituição de seiva, em que a seiva da madeira é substituída pelo sulfato de cobre dissolvido na água. Assim, retirado e descascado o tronco, a madeira logo inicia o processo de perda de líquido. A partir daí o tronco é mergulhado em torno de 0,5m na solução química e o líquido passa a ser absorvido pela madeira, substituindo sua seiva.

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A preparação da estrutura de apoio às toras ao redor dos tonéis aconteceu do começo ao fim do trabalho, pois sua finalização fez o isolamento do conjunto das para que não tombassem. A solução de sulfato de cobre foi preparada diretamente nos tonéis, onde posteriormente foram depositadas as toras.

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As toras retiradas tinham dimensão de 3m de comprimento e tinham de 15 a 20cm de diâmetro, por isso, o transporte até o quintal era realizado por duas pessoas. Como já comentado, tanto o corte da árvore quanto a extração dos galhos da ponta foram feito com uma motosserra. Após a extração, apoiadas de modo que ficassem inclinadas, as toras foram descascadas com o auxílio de facões e facas um pouco menores. Este processo consiste na retirada da casca em tiras que saem por partes ou, conforme as condições da madeira, que saiam inteiras. Assim como em todo o processo, a transmissão da experiência dos moradores sobre a maneira mais adequada para descascar a madeira foi essencial para a aceleração do processo. Percebemos que a experiência transmitida na fala e na prática, para este processo foram mais efetivas que as informações lidas, no sentido de aprendermos melhor na prática e colhermos dicas que não estão presentes nos manuais.

Foram extraídas 40 toras, totalizando 120m de comprimento em madeira. Portanto, cada um dos 4 tonéis abrigou 10 toras. Após descascada e pronta a solução, as toras foram depositadas nos tonéis  e amarradas às barras de eucalipto com cordas, de modo que o conjunto permanecesse vertical. Quanto à organização posterior do terreno e ao recolhimento das cascas, os moradores se responsabilizaram por limpar o terreno da dona Bete. Vale ressaltar que as ferramentas utilizadas os próprios moradores já as detinham e sabiam como manusear, o que facilitou bastante a organização e execução das tarefas.

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Finalizados a extração, o descascamento, o tratamento químico e a estruturação das toras para que passassem por tratamento adequado, chupamos cana e tomamos um café na casa da dona Maria, que participou ativamente não só do preparo dos bolos e do café, mas descascando a madeira e transmitindo seus conhecimentos também.

Todo este processo começou por volta das 9h da manhã e terminou as 13h, entretanto, ressaltamos que houve um grande planejamento anterior a respeito de como aconteceria o mutirão, quantos estariam envolvidos, como aconteceria cada etapa de trabalho, onde realizaríamos o processo, de onde viriam as ferramentas e diversas outras questões oriundas do processo. Além disso, o preparo do terreno e a articulação dos moradores foram essenciais para que o trabalho acontecesse de maneira completa e em um curto período de tempo.

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Após a pausa para tomarmos um café, participamos da festa junina que foi realizada na praça da lavanderia, com a presença de muitos moradores e convidados!

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Resultados

Conforme discutimos no grupo, a atividade da extração e tratamento foi concluída com sucesso! Foram cumpridas todas as etapas previstas, não faltaram materiais e o trabalho foi feito em um bom tempo. Percebemos um amadurecimento do grupo em relação à organização das tarefas, mas acreditamos que o intenso envolvimento de alguns moradores neste processo foi primordial para que a atividade fosse realizada com sucesso. Deste modo, constatamos mais uma vez que a comunicação entre as partes envolvidas no processo e a participação daqueles que se comprometeram, contribuem para um processo de troca e construção de conhecimento, além do cumprimento das metas estabelecidas. Entretanto, acreditamos ainda que as atividades que não cumpriram completamente com os objetivos pensados, contribuem para percebermos as deficiências e as razões para que não se cumprissem.  Ademais, as mudanças decorrentes de todo o processo contribuem para que o grupo amadureça as questões discutidas e mesmo as propostas de tarefa.

Agradecimentos

Gostaríamos de agradecer a todos os envolvidos direta ou indiretamente com a realização deste trabalho. Na verdade, a quantidade de pessoas para agradecer é imensa, pois existem desde os participantes diretos das atividades a amigos e famílias que nos apoiam na concretização deste projeto. Portanto, deixamos os nossos agradecimentos à nossas famílias e aos amigos e companheiros que apoiam o projeto e nos ajudam a continuar, mesmo aqueles que somente curtem os posts do grupo, visualizam a página do blog ou mencionam o projeto são de grande estímulo para nós. Agradecemos aos nossos orientadores e companheiros de conversa professor Reginaldo Ronconi e Chico Barros, pela paciência e disposição em conversar conosco e transmitir suas experiências, à professora Clice por se dispor a ser orientadora do grupo, à Marilene por apoiar o grupo, conversar conosco e participar de algumas atividades. Recordamos aqui, amigos que acompanham mais de perto nosso trabalho e por vezes participam das atividades: Mariana Seiko, Vitor, Juliano, Carol e Aline (as gêmeas), Marina Barrio) e as outras pessoas que já nos acompanhara nas atividades. Quanto aos moradores, agradecemos a participação intensa dos adultos e crianças envolvidos, como Antônio Marques, Capataz (Edivaldo), Edivaldo, Seu Antônio, Eliana, Dona Maria, Davi, Antônio, Michael, Daniel, Daniela, Bianca e outras pessoas. Enfim, muito obrigada a todos aqueles que apoiam e participam dos trabalhos do Projeto participativo para a construção de um parquinho na Comuna Agrária D. Tomás Balduíno.

Gostaríamos que as pessoas que contribuíram de qualquer maneira para a realização do trabalho dessem seus depoimentos, seja de como foi participar do mutirão ou mesmo do que pensam e sugestões sobre o projeto e seu andamento, o comentário de vocês é muito importante para nosso trabalho.