Festa Junina

No dia 15 de junho fizemos uma festa junina e uma oficina de extração de madeira. A oficina de extração de madeira começou pela manhã, enquanto se faziam os preparativos para a festa. Neste dia, nosso grupo se dividiu em dois: parte ficou na oficina de extração de madeira, parte fez uma oficina de bandeirinhas para decoração da festa junina.

Em nossa programação, esta era uma atividade de fundamental importância. Tanto era base das próximas atividades, pois era a extração e o início do tratamento do nosso principal material de trabalho – a madeira de eucalipto; quanto era o resultado das atividades anteriores, pois seria o momento inaugural da praça conformada pelos equipamentos inseridos na intervenção da antiga lavanderia.

A ideia da divisão de nosso grupo veio da vontade de ter atividades com as crianças enquanto houvesse atividades com os adultos. A partir daquele momento, misturar as atividades seria totalmente inseguro. Propusemos uma oficina de bandeirinhas: levamos papéis coloridos para fazer bandeiras de festa junina, balões e lanternas.

Porém, as crianças que apareceram por lá, já não queriam mais atividades de cortar e colar. Crescidas e urbanas, preferiram sentar nos bancos e conversar ao som de suas musicas preferidas. Apenas as crianças mais novas toparam participar de nossas oficinas. Isto não foi negativo nem para as crianças e adolescentes, nem para nós (estudantes). Apesar de não participarem das atividades que nós propusemos, as crianças e adolescentes tiveram um espaço de encontro e diversão.

Para nós, aquele foi um momento em que nós pudemos ver crianças, adolescentes e adultos utilizarem os brinquedos e equipamentos que lá instalamos. Foi então, que pudemos perceber: a intervenção na antiga lavanderia não foi apenas para crianças, mas para todos os moradores, independente da idade.

Outro ponto essencial naquele momento foi presenciar a união da comuna para fazer a festa junina. Uma festa que sempre teve o apoio financeiro de parceiros externos ao movimento, já não podia mais contar com financiamento. Para viabilizar, cada família levou um prato de comida, assim como nós, estudantes. Foi uma atitude simples, mas desencadeou outra postura do movimento, que relataremos mais adiante em outras atividades.

Tanto a festa junina quanto a oficina de extração de madeira mostrou que há força para reativar o senso de coletivismo esquecido com o passar dos anos. Isto foi observado (em reunião de balanço e planejamento) pelos próprios moradores da comuna, que reconheceram a falta de união de seu grupo e viram no parquinho a oportunidade pra retomar as atividades coletivas.

Dentro de nosso projeto, essa percepção foi muito positiva. Até então, estávamos apreensivos quanto à continuidade de nossas atividades, pois a verba que tínhamos da pró-reitora de cultura e extensão da USP era muito pequena e impossibilitava sequer a compra de material. Não estávamos conseguindo fornecer alimentação a todas aquelas pessoas que estavam lá, colocando a “mão na massa”. A partir daquele instante foi possível ver o quanto era necessário e o quanto era prazeroso a união daquela comuna para continuar na luta. Então, foi decidido que a alimentação dos mutirantes seria fornecida pelos moradores, com ajuda pessoal dos estudantes.

Oficina de Maquete

No dia 4 de abril, realizamos na Plenária da Comuna da Terra Dom Tomás Balduíno uma atividade que chamamos de Oficina de Maquete. A ideia desta atividade foi tentar apreender de maneira mais prática que tipo de brinquedo as crianças e jovens gostariam que existisse no parquinho. Antes desta oficina, o terreno para a construção do parque já havia sido escolhido a partir de diversas conversas e reuniões com os moradores presentes, por isso os participantes da oficina já tinham em mente qual espaço estávamos tratando.

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O que é a Oficina de Maquete

Ao pensar no processo de realização da oficina, procuramos trabalhar com recursos os quais as crianças pudessem se apropriar, criar coletivamente e interagir. Desta maneira, não levamos projetos desenhados pelo grupo, pois nossa intenção não é propor ideias que partam somente de um lado dos agentes participantes ou um processo de criação em que se suponha a participação das crianças a partir de instrumentos não dominados por eles, que na realidade os distanciam e não revelam suas intenções para o projeto. Acreditamos que o projeto participativo permite uma construção coletiva de conhecimento, de modo que a experiência conjunta permite uma troca de diferentes saberes.

A oficina de maquete faz parte de um processo de projetação coletiva que nos propusemos a desenvolver ao longo do trabalho com as crianças e jovens. Assim, a percepção de uma intenção das crianças não parte somente de uma atividade, mas é um processo pensado desde o início do projeto, em que a cada etapa procuramos nos aproximar deles, conhecer suas brincadeiras, entender seus espaços e como os percebem, e posteriormente, de maneira mais direta, perguntar a eles o que gostariam que existisse no parque que construiríamos juntos.

Metodologia

Dividimos a Oficina de Maquete em cinco partes, de modo que em cada uma delas as crianças lidavam com diferentes maneiras de propor suas ideias. Inicialmente apresentamos a eles referências impressas em pequenos papeizinhos, eram imagens de brinquedos feitos em eucalipto e/ou pneu, esclarecemos a eles que estes dois materiais seriam nossas principais matérias-primas para a construção do parquinho. Levamos mais ou menos 25 imagens, alguns brinquedos eram bem parecidos entre si, propusemos que escolhessem os que mais gostassem. A partir da semelhança entre alguns brinquedos escolhidos, pudemos levantar características que mais lhes chamavam a atenção. Após esta primeira etapa, propusemos que desenhassem, também em pequenos papeizinhos, brinquedos que não apareceram nas referências. Entre os principais escolhidos e desenhados, estão: a balança, a escalada formando um grande equipamento com casinha e escorregador, a trave para jogar futebol e a mesa, escolhida pelos jovens como um espaço de estar

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Escolhidas as referências, apresentamos a eles a maquete do relevo do terreno, feita de isopor, dissemos que a ideia era alocar no terreno as imagens dos brinquedos que escolheram e desenharam, como uma representação simbólica dos lugares onde gostariam que estes fossem implantados. Além das imagens, preparamos com eles árvores feitas de varetas de pipa e papel crepom verde para que afixassem no espaço, aproximando a maquete da real situação do terreno, no qual há muitas árvores.

Na etapa seguinte, distribuímos varetas de pipa e massinha, de maneira que as varetas representaram as toras de eucalipto, e a massinha, a articulação para interligação entre as varetas, como os encaixes a serem feitos na escala real. A cor das massinhas despertou muito a atenção das crianças, algumas delas interagiram somente com a massinha. Infelizmente, ao longo desta etapa, percebemos que a escolha da massinha para a articulação entre as varetas não funcionou como o planejado, pois as estruturas não se equilibravam fixas entre si. Ainda sim, as crianças experimentaram muitas formas e criaram alguns brinquedos. Surgiram totens, um cavalinho, uma trave, uma pista se skate, rede de vôlei, uma caixa de areia, um escorregador, bonecos e flores.

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Após a definição das referências escolhidas, desenhadas e modeladas, iniciamos a etapa de alocação dos brinquedos, em que os participantes distribuíam cada item pelo espaço da maquete, fazendo uma setorização prévia. De modo geral, o espaço de estar ficou perto da entrada do parquinho, beirando a rua, enquanto o campo de futebol ficou para um dos lados do terreno e o espaço dos brinquedos, do outro.

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O que podíamos ter feito

Ao iniciarmos as outras etapas do projeto, percebemos que podíamos ter envolvido muito mais os pais ao longo das atividades de projetação coletiva, inclusive na Oficina de Maquete. Acreditamos que o parquinho não será um espaço somente para as crianças e os adolescentes, mas também um espaço de lazer dos adultos, onde poderão se encontrar e até brincar. Além disso, percebemos que a escolha da massinha não serviu bem ao fim que gostaríamos, o que em parte prejudicou os resultados que gostaríamos de colher da oficina. Ao procurar identificar os equívocos ou as coisas que podíamos ter feito, buscamos amadurecer nosso trabalho não só para este projeto, mas como um conhecimento para todas as nossas experiências de vida. Ressaltamos que o processo coletivo de construção do conhecimento é essencial para que possamos ver os pontos em que o grupo necessita evoluir, sem este trabalho conjunto pensamos não haver possibilidade de crescer desenvolvimento deste processo.

Mutirão para Extração e Tratamento de Madeira de Eucalipto

No dia 15 de julho de 2013, na Comuna da Terra Dom Tomás Balduíno aconteceram dois eventos: a tradicional Festa Junina, que inaugurou a nova praça, e o Mutirão para Extração de Madeira de Eucalipto, organizado para a construção do parquinho. O objetivo para este dia foi dividir as pessoas em duas frentes de trabalho, sendo que uma das atividades envolveria as crianças e outra, somente adulto. Assim, enquanto acontecia a extração da madeira, a festa era organizada, de modo que por volta das 13h, foi dado início à festa e todos puderam se reunir, pois os trabalhos já estavam finalizados.

A equipe responsável pela festa junina, além de cuidar da distribuição de salgados, doces e bebidas, enfeitou o espaço com as bandeirinhas e organizou a área com os novos equipamentos de lazer. A festa foi preparada no local onde aconteceu a intervenção na lavanderia, próximo à Plenária e ao espaço da Ciranda. Dessa maneira, a festa junina foi uma comemoração e a inauguração daquele espaço que passamos a chamar de praça. Vale lembrar que esta área passou pela intervenção, na qual houve a instalação de bancos nas áreas capinadas e balanços na lavanderia e em árvores próximas, além da própria reativação de banheiros e da pintura da lavanderia.

Mutirão para extração e tratamento de madeira de aucalipto

 O Mutirão

O Mutirão para Extração e Tratamento de Madeira de Eucalipto aconteceu no setor verde, em uma parte do terreno da Dona Bete, que cedeu o espaço para realizarmos os trabalhos práticos relacionados à construção do parque. A decisão de implantar o parquinho no setor verde partiu de conversas com os moradores, os quais relataram que muitas crianças não participavam das atividades de recreação devido à grande distância que precisariam percorrer para chegar ao local. Dessa maneira, muitos pais não permitiam a ida de seus filhos aos encontros e brincadeiras, o que acabava afastando as crianças das atividades coletivas promovidas para elas e para os próprios adultos.

Em reuniões de planejamento das atividades com os moradores, percebemos que todo o conhecimento necessário para a extração e tratamento da madeira de eucalipto os moradores já detinham. Dessa maneira, além do trabalho intenso, a realização do mutirão foi um momento de grande troca de conhecimentos e aprendizado. Durante os trabalhos, ouvimos dos assentados que no período em que estavam em acampamento, boa parte deles havia lidado com a extração e o tratamento do eucalipto para utilizá-lo na construção de suas casas provisórias, os barracos, como eles chamavam. Além disso, existem na Comuna, pessoas com experiência no tratamento químico da madeira, por isso, todo o processo foi ensinado e realizado com a participação dessas pessoas.

Neste dia, ao chegarmos à comuna, os moradores participantes do mutirão já estavam trabalhando desde cedo: o terreno onde depositaríamos as toras e trataríamos a madeira estava limpo, os buracos para a fixação das estruturas onde alocaríamos os tonéis estavam sendo abertos e a madeira destinada a esta parte do trabalho também já estava sendo extraída. Houve muito empenho por parte das pessoas envolvidas, fosse no trabalho diretamente relacionado à extração da madeira ou mesmo no preparo do café da manhã, que   inclusive foi um verdadeiro banquete feito pela dona Maria.

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Inicialmente, tomamos o café da manhã na casa da dona Maria, este foi também o momento da acolhida, em que pudemos nos conhecer melhor e conversar com as pessoas participantes do trabalho. Deste mutirão participaram: Antônio Marques, Capataz (Edivaldo), Edivaldo, Eudes, Osvaldo, Jesuíno, Seu Antônio, Eliana, Dona Maria, Davi, Kakanha, Vitor, Juliano e Marla. Lembrando que a Ana, a Juliana, as crianças e outros moradores estavam envolvidos simultaneamente com a preparação da festa junina.

Após a acolhida, voltamos ao trabalho! Algumas pessoas continuaram cavando os buracos para fixação das toras nos tonéis e outras auxiliaram a extração feita pelo Capataz, com uma motosserra, e cuidaram do transporte da madeira até o local destinado para o tratamento. As árvores cortadas foram retiradas do morro logo atrás da casa da dona Bete, numa parte mais abaixo, onde estavam os eucaliptos. Por isso, apesar da declividade, o local era próximo ao espaço de tratamento e está em frente à área onde será construído o parquinho.

Retiradas as primeiras toras, iniciamos a etapa de descascamento da madeira. Enquanto isso, outras pessoas preparavam a solução de sulfato de cobre e água para o tratamento químico da madeira. Esta alternativa de tratamento foi pesquisada e discutida com os moradores que conheciam o processo. A ideia do tratamento por sulfato de cobre está baseada na substituição de seiva, em que a seiva da madeira é substituída pelo sulfato de cobre dissolvido na água. Assim, retirado e descascado o tronco, a madeira logo inicia o processo de perda de líquido. A partir daí o tronco é mergulhado em torno de 0,5m na solução química e o líquido passa a ser absorvido pela madeira, substituindo sua seiva.

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A preparação da estrutura de apoio às toras ao redor dos tonéis aconteceu do começo ao fim do trabalho, pois sua finalização fez o isolamento do conjunto das para que não tombassem. A solução de sulfato de cobre foi preparada diretamente nos tonéis, onde posteriormente foram depositadas as toras.

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As toras retiradas tinham dimensão de 3m de comprimento e tinham de 15 a 20cm de diâmetro, por isso, o transporte até o quintal era realizado por duas pessoas. Como já comentado, tanto o corte da árvore quanto a extração dos galhos da ponta foram feito com uma motosserra. Após a extração, apoiadas de modo que ficassem inclinadas, as toras foram descascadas com o auxílio de facões e facas um pouco menores. Este processo consiste na retirada da casca em tiras que saem por partes ou, conforme as condições da madeira, que saiam inteiras. Assim como em todo o processo, a transmissão da experiência dos moradores sobre a maneira mais adequada para descascar a madeira foi essencial para a aceleração do processo. Percebemos que a experiência transmitida na fala e na prática, para este processo foram mais efetivas que as informações lidas, no sentido de aprendermos melhor na prática e colhermos dicas que não estão presentes nos manuais.

Foram extraídas 40 toras, totalizando 120m de comprimento em madeira. Portanto, cada um dos 4 tonéis abrigou 10 toras. Após descascada e pronta a solução, as toras foram depositadas nos tonéis  e amarradas às barras de eucalipto com cordas, de modo que o conjunto permanecesse vertical. Quanto à organização posterior do terreno e ao recolhimento das cascas, os moradores se responsabilizaram por limpar o terreno da dona Bete. Vale ressaltar que as ferramentas utilizadas os próprios moradores já as detinham e sabiam como manusear, o que facilitou bastante a organização e execução das tarefas.

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Finalizados a extração, o descascamento, o tratamento químico e a estruturação das toras para que passassem por tratamento adequado, chupamos cana e tomamos um café na casa da dona Maria, que participou ativamente não só do preparo dos bolos e do café, mas descascando a madeira e transmitindo seus conhecimentos também.

Todo este processo começou por volta das 9h da manhã e terminou as 13h, entretanto, ressaltamos que houve um grande planejamento anterior a respeito de como aconteceria o mutirão, quantos estariam envolvidos, como aconteceria cada etapa de trabalho, onde realizaríamos o processo, de onde viriam as ferramentas e diversas outras questões oriundas do processo. Além disso, o preparo do terreno e a articulação dos moradores foram essenciais para que o trabalho acontecesse de maneira completa e em um curto período de tempo.

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Após a pausa para tomarmos um café, participamos da festa junina que foi realizada na praça da lavanderia, com a presença de muitos moradores e convidados!

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Resultados

Conforme discutimos no grupo, a atividade da extração e tratamento foi concluída com sucesso! Foram cumpridas todas as etapas previstas, não faltaram materiais e o trabalho foi feito em um bom tempo. Percebemos um amadurecimento do grupo em relação à organização das tarefas, mas acreditamos que o intenso envolvimento de alguns moradores neste processo foi primordial para que a atividade fosse realizada com sucesso. Deste modo, constatamos mais uma vez que a comunicação entre as partes envolvidas no processo e a participação daqueles que se comprometeram, contribuem para um processo de troca e construção de conhecimento, além do cumprimento das metas estabelecidas. Entretanto, acreditamos ainda que as atividades que não cumpriram completamente com os objetivos pensados, contribuem para percebermos as deficiências e as razões para que não se cumprissem.  Ademais, as mudanças decorrentes de todo o processo contribuem para que o grupo amadureça as questões discutidas e mesmo as propostas de tarefa.

Agradecimentos

Gostaríamos de agradecer a todos os envolvidos direta ou indiretamente com a realização deste trabalho. Na verdade, a quantidade de pessoas para agradecer é imensa, pois existem desde os participantes diretos das atividades a amigos e famílias que nos apoiam na concretização deste projeto. Portanto, deixamos os nossos agradecimentos à nossas famílias e aos amigos e companheiros que apoiam o projeto e nos ajudam a continuar, mesmo aqueles que somente curtem os posts do grupo, visualizam a página do blog ou mencionam o projeto são de grande estímulo para nós. Agradecemos aos nossos orientadores e companheiros de conversa professor Reginaldo Ronconi e Chico Barros, pela paciência e disposição em conversar conosco e transmitir suas experiências, à professora Clice por se dispor a ser orientadora do grupo, à Marilene por apoiar o grupo, conversar conosco e participar de algumas atividades. Recordamos aqui, amigos que acompanham mais de perto nosso trabalho e por vezes participam das atividades: Mariana Seiko, Vitor, Juliano, Carol e Aline (as gêmeas), Marina Barrio) e as outras pessoas que já nos acompanhara nas atividades. Quanto aos moradores, agradecemos a participação intensa dos adultos e crianças envolvidos, como Antônio Marques, Capataz (Edivaldo), Edivaldo, Seu Antônio, Eliana, Dona Maria, Davi, Antônio, Michael, Daniel, Daniela, Bianca e outras pessoas. Enfim, muito obrigada a todos aqueles que apoiam e participam dos trabalhos do Projeto participativo para a construção de um parquinho na Comuna Agrária D. Tomás Balduíno.

Gostaríamos que as pessoas que contribuíram de qualquer maneira para a realização do trabalho dessem seus depoimentos, seja de como foi participar do mutirão ou mesmo do que pensam e sugestões sobre o projeto e seu andamento, o comentário de vocês é muito importante para nosso trabalho.

Mutirão de construção do Parquinho

O projeto chegou ao momento do mutirão da construção do parquinho. A área está limpa, o canteiro foi montado, a burocracia foi resolvida e a madeira está tratada.

Convidamos então todos os colaboradores e simpatizantes para participar dessa etapa que será realizada nos dias 10 e 24 de agosto, dois sábados. A atividade está programada para começar de manhã e durará o dia inteiro, incluindo uma refeição reforçada para todos os participantes.

Interessados, pedimos a gentileza de entrar em contato pelos emails ou página do Facebook do epa! para combinarmos as caronas.

Obrigado!

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Exposição de fotos na Plenária

No sábado, dia 20 de abril foi realizada a atividade de reinauguração dos trabalhos da extensão junto as crianças do Dom Tomás.

O cenário escolhido foi a Plenária da Comuna para abrigar a montagem e instalação da exposição das fotos tiradas durante a atividade da Deriva Rural. A proposta foi lamber as imagens e pedaços recortados em papel de seda de diversas cores nos espelhos dos degraus que compõem a assembleia formando um grande e vivo mosaico.

Cabe destacar também a participação das crianças na montagem da exposição. O aprendizado de uma nova prática promove uma autonomia dos indivíduos e uma experiência enriquecedora em algum aspecto. Foi proposto que elas colassem as fotos em que aparecem junto com algum amigo ou parente ou que tivesse uma simbologia muito forte, assim elas também se apropriaram da exposição, algo que talvez não fosse possível se ficassem alheias ao processo. A intenção de tornar a intervenção “permanente” fazia parte dessa proposta de pertencimento.

Também levamos algumas caixas grandes de papelão que foram prontamente transformadas em túneis, abrigos, casas, castelos, e o que mais surgisse na imaginação delas. Promovemos no final um lanche com cachorro quente.

O coletivo acredita que a instalação ocupou o espaço e deu uma nova significação a ele. Há que se destacar que, com o atual uso do antigo edifício da Ciranda como Posto de Saúde, a ocupação da Plenária é bastante relevante para a Comuna.

Agradecemos a ajuda e participação do Mister Basurama e Mariana Seiko Sakurada.

Deriva Rural

A idéia de se fazer uma deriva na comuna partiu da necessidade dos estudantes de vivenciarem, mesmo que brevemente, algumas situações cotidianas junto das crianças do Dom Tomás. Em outros encontros, as crianças relatavam suas impressões sobre os espaços da comuna por meio de desenhos e falas, mas ainda era difícil que entendêssemos todos esses afetos e memórias sem ao menos caminhar por esses lugares.

De maneira prática, a proposta dessa atividade era formar três grupos com mais ou menos 15 pessoas (em média 13 crianças e 2 estudantes) que partiriam da frente da plenária, onde há o encontro de 3 ruas e por onde cada grupo seguiria por um desses caminhos. Cada grupo partiu com um “kit deriva”- que contava com 2 câmeras descartáveis de 27 poses, diversos retalhos de tecidos coloridos e tintas- e teria 2 horas para percorrer o trajeto e voltar para a Ciranda. A documentação e os desvios de cada grupo eram livres.

Como metodologia, optamos por não levar câmeras digitais nem mapa, mas deixar que as crianças guiassem e registrassem a atividade conforme suas próprias regras utilizando o kit deriva.

Sendo assim, ao final cada grupo acabou criando sua própria atividade e aqui estão seus registros.

Agradecemos a Brunna Laboisier, Mariana Sakurada, Marina Barrio e Thiago Lee.

Relatos dos convidados:

“Participei da atividade de deriva pelo assentamento (podem mudar para o nome oficial, se nao for esse!), na qual acompanhei junto com a Ana um grupo de crianças em uma caminhada de brincadeiras. As crianças foram divididas em grupos aleatórios, de forma a evitar grupos de amigos que estão sempre juntos, e misturar meninos e meninas de várias idades. Mesmo assim, as crianças deram o seu jeito de se misturarem de volta nos seus grupos de amizade, assim que no meu grupo ficaram um grupo de meninos mais velhos, um grupo menor de meninas mais velhas, e um grupo de meninos e meninas pequenos. Para a caminhada, entregamos às crianças alguns tecidos coloridos e duas maquinas fotográficas descartáveis. Sugerimos que marcassem o percurso com os tecidos e que com as fotos procurassem imagens significativas do assentamento. As meninas mais velhas estavam muito tímidas para participar da atividade, mas nos acompanharam durante o percurso, sem muita interação com os outros. Já os meninos mais velhos eram muito espontâneos, estavam sempre brincando uns com os outros e gostavam de tirar e posar para fotos. Uma das coisas mais legais do nosso percurso foi um balanço que os meninos mais velhos construíram com os tecidos numa construção abandonada que encontramos no caminho. Eles usaram do material que tínhamos para construir um brinquedo, que logo pode ser utilizado pelos mais novos. As crianças mais novas tinham muita curiosidade em manipular a câmera, e gostavam de registrar os momentos. Elas gostavam também de se fantasiar com os tecidos e com tinta para o rosto. Criaram uma linguagem comum para as fantasias, de forma que pareciam uma tribo. Outra construção legal que fizeram com os tecidos foi uma sacola de carregar tecido, que as crianças levavam nas costas. As crianças pequenas nos mostraram algumas referências de elementos do meio rural do qual gostavam. Duas vezes me mostraram ninhos de passarinho e também diziam os nomes das plantas que mais lhes chamava a atenção. No final da atividade, no caminho de volta, fizemos com os mais novos uma corrente segurando os tecidos e voltamos em fila. As crianças riam muito e gostavam de alternar o ritmo de caminhar, para confundir os outros, correndo e desmanchando a corrente. Os mais velhos tinham se dispersado, mas nos esperavam no ponto de encontro de todos os grupos, na ciranda. As crianças de todos os grupos, espontaneamente, enfeitaram a árvore ao lado da ciranda com tecidos da atividade. Para mim a brincadeira foi cheia de imaginação e fantasia, na construção de uma tribo, de um grupo de semelhantes, que se podia reconhecer visualmente pelas pinturas e roupas. O espaço em que estávamos não estava dividido entre espaço-para-brincar e espaço-para-não-brincar, e sem a divisão brinquedo e não-brinquedo, tudo podia ser apropriado na nossa fantasia. No final, o que instigou a brincadeira foram os elementos que levamos para a atividade (tecidos, câmeras, tintas) e a partir deles fomos nos apropriando de outros elementos presentes no percurso (construção abandonada, cercas, plantas, caminho de terra).”

Marina Barrio